5.18.2015

A moda nativa

É maior que a moda.



É a primeira coisa a saber sobre o trabalho de Bethany Yellowtail, um vibrante e elegante fusão de um estilo clássico e de características de sua identidade nativa. Dentes de alce desenham as mangas de um vestido desenhado com um bordado intricado que delineia o copo de Jade Willoughby, uma modelo Ojibwe de Whitesands First Nation no norte de Ontário, Canada.

Todos os colaboradores de Yellowtail são indígenas: Thosh Collins, o fotógraafo, é Onk Akimel O'Odham, Wah-Zah-Zi and Haudenosaunee. Martin Sensmeier, outro modelo, é Tlingit, Koyukon e Athabascan. O diretor do vídeo promocional e poeta, Tazbah Rose Chavez, é Nüümü e Diné e todos convergem na visão de Yellowtail, uma coleção de moda marcada pelas influência de nativos americanos com um porém - é verdadeiramente feita por uma nativa americana.

Isso é mais raro do que se imagina. Designers indígenas são escassos no espaço da moda e, quando existem, o relacionamento deles com esta indústria de moda mainstream tem sido de apropriação e, sem rodeios, de roubo.

Esta tendência hoje pode ser vista toda vez que Pharrell Williams aparece na capa da revista Elle vestindo um cocar ou quando Heidi Klum prepara um photoshoot em Project Runway onde modelos brancas com a cara pintada aparecem usando penas, headdresses e peles de animais.

“Meu irmão é um chefe e esses cocares são como nós o honramos.” Yellowtail disse em entrevista à Mic. “Você simplesmente não os pega e sai por aí”.

Talvez o exemplo da própria Yellowtail mais gritante de apropriação ocorreu neste ano na Fashion Week de Nova Iorque. Num incidente bem comentado, a marca KTZ de Londres exibiu uma modelo na passarela usando um vestido onde se via semelhanças com um que Yellowtail desenhara - inclusive o padrão de ampulheta que é uma característica forte do design de seu povo nativo, os Apsáalooke. “Aquele design que eu fiz vem de uma bolsa que minha bisavó fez”, ela conta à Mic. “Eu nem consigo descrever o sentimento. Aqui estou tentando ter uma voz e me representar e essa designer age como se nós [Mulheres nativas] não existíssemos, não podemos fazer por nós mesmas. “Foi pessoal. Acendeu um fogo dentro de mim”.



Esse elemento pessoal é o que faz o trabalho de Yellowtail tão rico. Criada numa reserva indígena no sudeste de Montana, Yellowtail desenvolveu um interesse em moda no ensino médio, onde uma professora de arte viu o potencial para o design desde cedo.
“Ela disse: ‘Você poderia ser uma designer de moda’”, explica Yellowtail.  “Na época, não havia nenhum designer nativo. Não vemos nativos assim na mídia ou em papeis principais. Na minha família a maioria é fazendeiro. Meu pai administra uma fazenda de gado. Com os desafios e pobreza que nós passamos na reserva, eu nunca pensei nisso como opção.”

Depois de se formar na faculdade de artes em Los Angeles, Yellowtail trabalhou para diversas marcas e designers antes de embarcar neste último projeto, sua primeira linha de roupas de sua própria marca. Ela deu o nome de “Mighty Few”, o nome da parte da reserva onde ela nasceu. A inspiração dela, ela diz, está na inspiração que ela organizou antes de desenhar as roupas - fotografias em preto e branco de seu avô, Hawk with the Yellowtail Feather, e de sua avó fazendo uma performance rara de uma daça feminina nos anos 1940 justaposta com uma onde sua irmã participava da mesma cerimônia, alguns anos atrás.

“É lindo ver a continuidade do nosso povo antes e agora.” Ela diz à Mic. “Eu queria transmitir isso na minha coleção: nós ainda estamos aqui, nós ainda somos um reflexo de nossos ancestrais.”
(...)

“Neste ponto, eles estão nos tirando nossa voz e nosso design” ela diz. “Eles não nos percebem como pessoas e nações vivas. Isso não é só moda, isso é parte de nossa identidade tribal.”
(...)

Este artigo foi escrito por Zak Cheney Rice, escritor do site Mic e  traduzido e adaptado. Veja o original aqui
O site Hrdwrker fez uma entrevista em vídeo com Bethany. Veja e se inspire!





5.04.2015

GYPSETTERS: NEXT STOP, MARROCOS!

Em um desfile multicolorido, a Salinas buscou no Marrocos a inspiração para seu desfile Verão 2016.

Foto: FFW

Praia, surf, simplicidade, música, longos dias de verão e um estilo da vida nada convencional. Foi assim que a Salinas chegou ao SPFW nesse verão 2016. Inspirada no Marrocos, a marca carioca desfilou biquínis de modelagens variadas que foram desde o clássico lacinho até maiôs com decotes profundos e as badaladas hot pants.
Além do beachwear, a novidade desta vez foram as peças para serem usadas fora do mar: calças e shorts clochard, camisas cropped, túnicas leves e micro jaquetas confeccionadas em tecidos nobres como linho, laise e seda, povoaram a passarela. A estamparia também teve papel importante nessa viagem carioca. Motivos criados a partir de mosaicos, tapetes e tamameiras do deserto marroquino ganharam vida através de uma paleta de cores quentes e ensolaradas saída dos mercados da Medina. Tiras de couro tramadas, pequenas doses de preppy militar, bordados em cerâmica, patchworks e as sandálias Melissa Maiô fecharam os detalhes da coleção.

A fim de experimentar o sonho de uma vida perfeita onde a sofisticação encontra o livre e o alternativo, a Salinas trouxe para a passarela um desfile leve e agradável, com um quê de nômade chique para gypsetter nenhum botar defeito. 

Este post foi escrito pela atual presidente da Têxtil e Moda Jr, Paula Vilela Kouris.